Mico de amor - você já tem o seu?
Pronto. Quem mandou eu criar um blog sobre nosso casamento? Agora vou ter que confessar, porque não dá para sonegar nossa própria história. Mas registre-se que em condições normais de temperatura e pressão eu JAMAIS admitiria ter feito o que vou descrever. E se alguém me vir na rua e perguntar eu viro Maluf: NÉGO, até sob tortura.
Tudo começou em meados de 2003, quando eu já planejava meu casamento:
Tibério - Como a gente vai casar e você vai ficar aqui em Recife mesmo, por que não faz faculdade pra Música? É o que você quer mesmo, não é?
Luciana - Ah, mas pra fazer o vestibular da UFPE eu teria de estudar uns dois anos. Tem o teste de habilidade específica e meu solfejo é péssimo! Eu nunca estudei em conservatório, sou só uma curiosa, tem gente que já faz conservatório há anos e vai passar fácil. Melhor deixar pra depois.
No outro mês, Tibério avisa que fez a inscrição de Luciana no vestibular. Como ela entra em estado de choque, ele explica que tem uma professora de música amiga dele que tiraria as dúvidas dela.
- Cê tá doido? Pirou na batatinha? Querido, só falta três meses pras provas!! Eu não vou conseguir.
Da próxima vez que foi a Recife, Tibério a levou na casa da professora. E no campus da UFPE só pra dizer:
- Trouxe você aqui pra que se acostume com os ares de onde vai estudar próximo ano.
Luciana fez as provas e passou, inclusive nas específicas de música, porque durante os três meses que se seguiram ela não desgrudava dos livros de teoria musical nem pra estudar para as provas de conclusão do seu curso de Direito. Ou seja, sobre Direito processual de trabalho ela sabe tudo de construção de acordes diminutos. De vez em quando, quando batia algum vestígio de razão, ela desembestava a chorar achando que ía sofrer a maior decepção de sua vida, que jamais deveria ter se inscrito no vestibular. Tibério ouvia tudo pacientemente e continuava incentivando, animando, fazendo piadinhas pra ela rir. Acreditando no sonho dela.
O tempo passou e a pressão aumentou mais e mais. Tinha que conseguir pelo menos a média pra passar nas provas de Direito, arrumar os preparativos para o casamento e reformar a casa a 300Km de distância, cuidar da mudança para Recife, estar todo dia no estágio do setor jurídico da CAIXA pra descascar abacaxis gigantescos, e manter a sanidade, o que vez ou outra lhe era impossível. Os dois seguraram uma barra nessa época, pois, como não bastasse, a situação financeira começou a apertar bastante, terminando com a falência da empresa onde Tibério trabalhava (o Brasil também estava em crise). Quando fez as provas e o teste de habilidade específica, Luciana só tinha fé em Deus e a força descumunal que Tibério arranjava para lhe dar. Enquanto todo mundo da família dela perguntava quando ela faria concurso para delegada, juíza, o raio-que-o-parta, ele continuava dizendo que ela tinha que correr atrás do que a faria realmente feliz, como sonhou a vida inteira.
Então Luciana passou. Foi uma festa, claro. Mas o companheirismo de Tibério não terminou aí. Ele tem apoiado Luciana em tudo que se refere a sua faculdade e sua decisão profissional. Vai deixá-a quando está atrasada, ajuda em seus trabalhos, constrói projetos com ela, aprendeu a toca flauta só pra ela criar coragem de estudar teclado, ouve ela ensaiar as músicas milhares de vezes e ainda compõe versões engraçadíssimas pra eles rirem depois (ele sabe como fazer ela não endoidar antes de uma prova), convida com o maior orgulho todas as pessoas que conhece (se possível até os passantes da rua) para assistir suas apresentações, está sempre ao seu lado, mesmo que algumas vezes tenha que deixar seus afazeres de lado, só porque a ama muito.
E da mesma forma que Luciana está chorando enquanto escreve esse texto, porque nunca recebeu tanto amor desinteressado em toda a sua vida, ela chorou ao lembrar de toda essa história enquanto fazia sua prova de canto. Tibério estava lá (chegou só um pouquinho atrasado, mas o que você queria pra uma segunda-feira às 15 horas??). E depois de cantar as duas primeiras árias, foi a vez da canção "Fiz da vida uma canção", de Waldemar Henrique, uma música brasileira erudita, antiga mas muito bonita. Ela começou:
"Foi depois que teu olhar
volveu-se para mim
que senti meu coração pulsar;
Percebi que minha alma
vibrava de emoção
então eu fiz da vida uma canção"
Apontou na direção de Tibério, dirigiu-se até perto de onde ele estava sentado, ainda cantando. E não cantou mais nada. Chorou aos cântaros porque se sua vida naquele momento era perfeita, se sua vida havia se transformado na canção que sempre sonhou, Tibério era o maior culpado por isso. Era a primeira vez que ela participava de um recital aberto ao público ali na UFPE, e ver-se num palco que rondara seus sonhos desde menina, cantando músicas que sempre amou, como Lascia chio pianga (quase um hino dos tempos do curso de Direito) e I Know that my redeemer liveth (do Messias, oratório que ela AMA), ambas de Handel (seu compositor favorito), de frente para o homem que acreditou e tornou possível seu sonho distante virar realidade... era demais!!
Chorou. E todo mundo chorou junto. E o professor foi para o lado dela e continuou cantando de onde ela parou. E Tibério, vermelho como um tomate, pensava intimamente se cabia embaixo da cadeira. Ao final, um rio de lágrimas inundando o auditório, ela pediu desculpas e explicou:
- Minha vida tem sido a realização de um sonho. E esse homem é o culpado por isso.
Mico, né? Digno de novela do SBT ou quadro do Domingo Legal. Se eu tivesse planejado isso nunca teria feito, porque não conseguiria me ver chegando viva até o final. Mas dane-se a dignidade (hehehhe), foi espontâneo, foi inevitável, e foi uma forma doida de agradecer por tudo que meu Céu tem feito por mim (só para citar essa faceta da minha vida). Nunca pensei que diria isso mas... feliz o casal que tem um mico de amor pra lembrar!
Tudo começou em meados de 2003, quando eu já planejava meu casamento:
Tibério - Como a gente vai casar e você vai ficar aqui em Recife mesmo, por que não faz faculdade pra Música? É o que você quer mesmo, não é?
Luciana - Ah, mas pra fazer o vestibular da UFPE eu teria de estudar uns dois anos. Tem o teste de habilidade específica e meu solfejo é péssimo! Eu nunca estudei em conservatório, sou só uma curiosa, tem gente que já faz conservatório há anos e vai passar fácil. Melhor deixar pra depois.
No outro mês, Tibério avisa que fez a inscrição de Luciana no vestibular. Como ela entra em estado de choque, ele explica que tem uma professora de música amiga dele que tiraria as dúvidas dela.
- Cê tá doido? Pirou na batatinha? Querido, só falta três meses pras provas!! Eu não vou conseguir.
Da próxima vez que foi a Recife, Tibério a levou na casa da professora. E no campus da UFPE só pra dizer:
- Trouxe você aqui pra que se acostume com os ares de onde vai estudar próximo ano.
Luciana fez as provas e passou, inclusive nas específicas de música, porque durante os três meses que se seguiram ela não desgrudava dos livros de teoria musical nem pra estudar para as provas de conclusão do seu curso de Direito. Ou seja, sobre Direito processual de trabalho ela sabe tudo de construção de acordes diminutos. De vez em quando, quando batia algum vestígio de razão, ela desembestava a chorar achando que ía sofrer a maior decepção de sua vida, que jamais deveria ter se inscrito no vestibular. Tibério ouvia tudo pacientemente e continuava incentivando, animando, fazendo piadinhas pra ela rir. Acreditando no sonho dela.
O tempo passou e a pressão aumentou mais e mais. Tinha que conseguir pelo menos a média pra passar nas provas de Direito, arrumar os preparativos para o casamento e reformar a casa a 300Km de distância, cuidar da mudança para Recife, estar todo dia no estágio do setor jurídico da CAIXA pra descascar abacaxis gigantescos, e manter a sanidade, o que vez ou outra lhe era impossível. Os dois seguraram uma barra nessa época, pois, como não bastasse, a situação financeira começou a apertar bastante, terminando com a falência da empresa onde Tibério trabalhava (o Brasil também estava em crise). Quando fez as provas e o teste de habilidade específica, Luciana só tinha fé em Deus e a força descumunal que Tibério arranjava para lhe dar. Enquanto todo mundo da família dela perguntava quando ela faria concurso para delegada, juíza, o raio-que-o-parta, ele continuava dizendo que ela tinha que correr atrás do que a faria realmente feliz, como sonhou a vida inteira.
Então Luciana passou. Foi uma festa, claro. Mas o companheirismo de Tibério não terminou aí. Ele tem apoiado Luciana em tudo que se refere a sua faculdade e sua decisão profissional. Vai deixá-a quando está atrasada, ajuda em seus trabalhos, constrói projetos com ela, aprendeu a toca flauta só pra ela criar coragem de estudar teclado, ouve ela ensaiar as músicas milhares de vezes e ainda compõe versões engraçadíssimas pra eles rirem depois (ele sabe como fazer ela não endoidar antes de uma prova), convida com o maior orgulho todas as pessoas que conhece (se possível até os passantes da rua) para assistir suas apresentações, está sempre ao seu lado, mesmo que algumas vezes tenha que deixar seus afazeres de lado, só porque a ama muito.
E da mesma forma que Luciana está chorando enquanto escreve esse texto, porque nunca recebeu tanto amor desinteressado em toda a sua vida, ela chorou ao lembrar de toda essa história enquanto fazia sua prova de canto. Tibério estava lá (chegou só um pouquinho atrasado, mas o que você queria pra uma segunda-feira às 15 horas??). E depois de cantar as duas primeiras árias, foi a vez da canção "Fiz da vida uma canção", de Waldemar Henrique, uma música brasileira erudita, antiga mas muito bonita. Ela começou:
"Foi depois que teu olhar
volveu-se para mim
que senti meu coração pulsar;
Percebi que minha alma
vibrava de emoção
então eu fiz da vida uma canção"
Apontou na direção de Tibério, dirigiu-se até perto de onde ele estava sentado, ainda cantando. E não cantou mais nada. Chorou aos cântaros porque se sua vida naquele momento era perfeita, se sua vida havia se transformado na canção que sempre sonhou, Tibério era o maior culpado por isso. Era a primeira vez que ela participava de um recital aberto ao público ali na UFPE, e ver-se num palco que rondara seus sonhos desde menina, cantando músicas que sempre amou, como Lascia chio pianga (quase um hino dos tempos do curso de Direito) e I Know that my redeemer liveth (do Messias, oratório que ela AMA), ambas de Handel (seu compositor favorito), de frente para o homem que acreditou e tornou possível seu sonho distante virar realidade... era demais!!
Chorou. E todo mundo chorou junto. E o professor foi para o lado dela e continuou cantando de onde ela parou. E Tibério, vermelho como um tomate, pensava intimamente se cabia embaixo da cadeira. Ao final, um rio de lágrimas inundando o auditório, ela pediu desculpas e explicou:
- Minha vida tem sido a realização de um sonho. E esse homem é o culpado por isso.
Mico, né? Digno de novela do SBT ou quadro do Domingo Legal. Se eu tivesse planejado isso nunca teria feito, porque não conseguiria me ver chegando viva até o final. Mas dane-se a dignidade (hehehhe), foi espontâneo, foi inevitável, e foi uma forma doida de agradecer por tudo que meu Céu tem feito por mim (só para citar essa faceta da minha vida). Nunca pensei que diria isso mas... feliz o casal que tem um mico de amor pra lembrar!



12 Comments:
Meu amooooooooooooor!!!!
Vc sabe que é um orgulho pra mim, suas boas loucuras são como poesias que faz quem estar ao seu redor se sentirem únicos, seu incentivo faz mudar não só sua vida mas de muitoos outros pela sua força!!!!!
Em sempre provar que pode e pode meeeeeeeeeeeeeeeesmo!!!
Amo demaaaaaaaaaaaais vc e titi e espero que a cada dia suas vidas se tornem uma novela mexicana mesmo,kkkkkkkkkkkkk, com direito a um liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo final feliz!!!!
Só vc pra me fazer chorar a esta hora do dia sua ingrata, era eu lendo e lavando o rosto com as lágrimas!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Espero velos logo logo se Deus quiser e manda um bjaaaum pra titi
Que lindo Luuu!!!Quero um amor assim pra mim...que me motive e me ajude a buscar meus sonhos qdo todos acham que isso é loucura!!!Te adoro viu!! E como juíza, graças a Deus vc dará uma ótima Musicista!!Bjo!! (Por que eu abandonei meu Sax meu Deus????!??)
Nossa que história bonita, um mico desses eu queria!!!
Luciana, vc não me conhece, mas já há algum tempo eu conheço o teu blog pq eu gostava de olhar o ComVersos (que eu descobri um dia, faz um tempão, no Advir), daí eu descobri o Orbita, e de lá o Céu e Luz. Muito legal acompanhar tua história, e esse post me fez chorar...fique lendo e chorando (eu sou uma chorona!). Muito lindo viu? Parabéns! Deus abençoe vocês!
Minha querida e perfumada Luna,
Que mico nada! Declarações de amor nunca são mico! Que lindo!!! Mil beijos...
Mico? O que vc escrebveu não é mico, não! è prova de amor!!! Fiquei emocionada!Bjos
Olá....gostei muito do seu blog, qdo tiver um tempinho dá uma passadinha no meu...ótimo fim de semana pra vc...beijossss
Eu ainda não tinha comentado esse post. Não tive condições na hora.
Chorei horrores. Estava no msn com uma amiga e disse pra ela: lê isso aqui e me dá um minutinho pra eu me recuperar porque não tenho condições de falar agora. Ela tb disse que chorou horrivelmente com seu post (outra manteiga derretida que nem eu...rs)
Mulher, o seu amor é tão bonito que está me causando um problema: não quero nada que não seja parecido.
Mas vamos combinar que é um padrão altíssimo de alcançar. Quão abençoados vocês são! Que coisa linda!
Beijos aos dois!
Na verdade este não foi o primeiro nem será o último mico de amor que esta romântica de carteirinha passa...
Coisas como fazer dar meia volta pra pegar florzinhas em jardins alheios ou fotografar fachadas de edifícios em meio à multidão(de trombadinhas)!
Mas o belo da vida à dois é descobrir o outro nestas pequenas coisas.
Acreditar no amor não é esperar que apareça um príncipe encantado perfeito ao dobrar a esquina, mas é descobrir no outro um pouco de si mesmo a cada dia! Ou, até mesmo, perceber que cada vez mais estamos nos tornandos LAIÁS aos olhos dos outros, mas sensíveis e comprometidos com a felicidade daquela que escolhemos (ou Deus escolheu para nós)!
Vale a declaração: TE AMO MUITOOOO!
Snif! E eu ia assistir essa prova, lembra?!:-(
Lu e Tiba,
Enquanto todo o mundo anda decretando o fim do casamento, proclmando que o mesmo não passa de uma instituição falida, vcs provam o contrário. PARABÉNS
P.S. Essa foto fui eu quem tirei, qdo visitamos Igarassu?
abs,
Edu
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CHASE CARDS RATES
AIII MEU MICO FOI TERRIVEEEEELL
EU DISSE PRA UM GAROTO QUE O AMAVA QUANDO A GENTE TAVA SO FICANDO KKKKKKKK
MAS EU NAO QUIS FORÇAR NADA TIPOOOOOWW SAIU SEM QUEREEERR
ISSO ACONTECEU AGORA POCO E EU TO MORRENDOO DE VERGONHAAAAAAAAAAAAA
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